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UNIESP – Guaratinguetá: FACEG realiza debate sobre “Fontes do suicídio do Séc. XVIII ao Séc. XXI”

Data: 31/05/2017 | 0 Comentário


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No dia 18 de maio, os alunos da Faculdade de Educação de Guaratinguetá – FACEG participaram da atividade “Academia em Debate: Fontes do suicídio do Século XVIII ao Século XXI”. Compuseram a mesa de palestrantes a Prof.ª, M.ª Ana Alice Matiello, Prof. Dr. Luiz Cláudio Gonçalves Junior e a Prof.ª Esp. Vera Maria da Conceição Pereira Guio.

A introdução ao debate foi proferida pela professora e filósofa Ana Alice Matiello, que abordou as fontes de suicídio no século XVIII e enfatizou três obras: “O Sofrimento do jovem Werther”, “O Estrangeiro” e “O Admirável Mundo Novo”.

A docente esclareceu que o suicídio sempre fez parte da sociedade e que não é um advento novo e nem ao menos estranho. Na citada obra “O Sofrimento do jovem Werther”, publicado no início do Romantismo, período no qual os autores buscavam a subjetividade, mostrando o drama humano, paixões trágicas e platônicas. 

Ana Alice discorreu sobre a vida de Werther, sua obra em cartas ao amigo Guilherme, narrou que Werther se apaixonou por uma mulher casada, momento em que surgiu o conflito do “bem contra um bem”, causando um drama existencial no autor, fato esse que o levou a tirar a própria vida.  Ela abordou ainda a obra “Admirável Mundo Novo”, que reflete sobre a questão de que todas as pessoas “tem que estar felizes o tempo todo”, um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por   castas.

Posteriormente, a professora e psicóloga, Vera Guio, iniciou uma explanação sobre o suicídio no âmbito psicológico, onde propôs o debate dos seguintes temas “Precisamos falar sobre suicídio”, “Quem é o responsável? ” e a “Causas do suicídio. ”

Para a psicóloga, fica claro que o assunto ainda é tratado de forma velada, apesar de a taxa de suicídio ser umas das maiores causas de morte dos jovens brasileiros, o assunto ainda é um tabu e exige a atenção de pais e responsáveis, pois o suicídio, diferente do que muitos pensam é uma questão essencial, onde a vida é discutida. Vera ressaltou ainda, que as maiores causas de suicídio são os Transtornos (que são tratáveis) – dor psíquica, Transtorno bipolar e Transtornos Associados, Esquizofrenia, Depressão, Boderline, Pânico, Desesperança/desespero.

Sobre momentos de desesperança e desespero, que por ventura acometem jovens, a psicóloga citou a narrativa de Jung: “Só aquilo que somos tem o verdadeiro poder de curar-nos”. Jung, em sua teoria, preconizou que “a reconstrução do eu leva a cura”. A professora ainda explanou sobre a ideia do “outro”, ou seja, quem sofre, não sofre sozinho, sofre em relação ao outro e expôs que também há prevenção para que o suicídio não ocorra e que existem frases de alerta como “não aguento mais viver”, “não aguento mais essa dor”, entre outros gatilhos, que são sinais de que realmente o indivíduo está pedindo ajuda, e não deve ser ignorado.

A palestra colocou diante dos alunos a importância de focar na vida, nas pessoas e nas coisas boas e relatou que todos nós temos problemas e devemos ter ferramentas de como enfrentá-los. Ressaltou também que uma medida de prevenção e combate ao suicídio é o diálogo aberto, onde exista a possibilidade de ser ouvido e sendo o caso que também seja oferecida ajuda profissional de um psicólogo e ou psiquiatra, profissionais preparados para lidar com a questão de uma forma mais abrangente, inclusive utilizando medicamentos quando se fizer necessário.

Finalizando as explicações, tivemos a explanação do professor Luiz Cláudio Gonçalves Junior, que trouxe uma visão jurídica sobre o problema do suicídio, enfatizando a questão do jogo “Baleia Azul”.

O professor Luiz Cláudio informou que o termo “Blue Whale” refere-se a um jogo on-line, atualmente praticado por adolescentes e jovens, no qual são submetidos pelo curador (líder do jogo) a completarem cinquenta missões, também chamadas de etapas, feitas em período preferencialmente noturno, que irão mexer com o psicológico do jogador, que acaba por ficar abalado e suscetível. Essas missões consistem em assistir reiteradas horas de filmes de terror, preferencialmente no período noturno, praticar automutilação, andar em beiras de precipícios, se equilibrarem no alto de um edifício, etc. Essas ações devem ser gravadas e enviadas ao curador do jogo, onde o mesmo dará continuidade a novas missões sendo a última delas o suicídio. O advogado informou ainda que, havendo a possibilidade de desistência do jogador, o curador utiliza-se de ameaças e manipulação psicológica, pois para participar do jogo é necessário um convite e junto com este um preenchimento de várias informações sobre a vida do participante, forma esta que o vincula a um estado de refém.

Em termos legais, a vítima (jogador) do Blue Whale, não pode ser punida pelo suicídio, pois de acordo com o Código Penal Brasileiro o suicídio não é considerado crime. Só é passível de punição de acordo com o Art. 122 do Código Penal. 

No caso da morte do participante do jogo, o que ocorre é a penalização do curador, que pode ser indiciado por homicídio, associação criminosa, lesão grave e ameaça. Já a respeito do suicídio praticado pelo jogador é ilógico puni-lo por tal ato, afinal não podemos punir alguém que efetivamente tenha morrido. No caso de tentativa de suicídio ainda não cabe a punição legal, pois não é crime.

Mas no já citado artigo 122 do Código Penal, aquele que induz, instiga e auxilia alguém a cometer suicídio responde criminalmente. É o caso das pessoas que fornecem armas para que o suicida se mate ou daquelas que gritam para que o suicida se atire do alto de um prédio.

Em seguida, foi aberto espaço para que os presentes fizessem perguntas aos palestrantes, fazendo com que dessa forma o tema fosse amplamente discutido por todos, enfatizando reiteradas vezes como a escola e os profissionais de educação podem e devem agir em casos onde verifiquem que crianças, jovens e adolescentes estejam participando deste tipo de jogo ou apresentando comportamentos que estejam vinculados à questão suicida.




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