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AVALIAR PARA FORMAR: QUANDO A AVALIAÇÃO TRANSFORMA A PRÁTICA DOCENTE

Data: 22/04/2026 | Comentário


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A avaliação no ensino superior tem passado por transformações importantes nos últimos anos, especialmente com a consolidação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) como instrumento central do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Mais do que medir resultados, a avaliação tem sido compreendida como parte essencial do processo de ensino e aprendizagem.

Nesse contexto, ganha destaque a elaboração de itens avaliativos, prática que vai além de simplesmente formular questões. Construir uma boa questão exige clareza, intencionalidade pedagógica e domínio dos fundamentos teóricos da avaliação. Um item bem elaborado deve mobilizar competências, habilidades e diferentes níveis de pensamento, estimulando o estudante a analisar, interpretar e aplicar conhecimentos, em vez de apenas memorizá-los.

Um exemplo dessa abordagem pode ser observado na construção de questões de Geometria inspiradas no modelo do ENADE. Ao trabalhar conteúdos como os sólidos de Platão, é possível articular conhecimentos matemáticos com áreas como Filosofia, Arte e Ciências, promovendo uma aprendizagem mais significativa e contextualizada. Esse tipo de proposta evidencia como a interdisciplinaridade pode enriquecer o ensino e tornar o conteúdo mais relevante para os estudantes.

Outro aspecto fundamental é a elaboração dos chamados “distratores” — as alternativas incorretas em questões de múltipla escolha. Longe de serem opções aleatórias, eles são construídos com base em erros comuns dos estudantes, permitindo que a avaliação também funcione como instrumento diagnóstico, capaz de revelar dificuldades e orientar intervenções pedagógicas.

Mais do que um exercício técnico, a elaboração de itens pode se tornar um poderoso instrumento de formação docente. Ao planejar avaliações mais consistentes, o professor é levado a refletir sobre o que significa aprender, quais habilidades deseja desenvolver e como alinhar objetivos, metodologias e práticas avaliativas.

Essa mudança de perspectiva contribui para a ressignificação do fazer docente, deslocando o foco da transmissão de conteúdos para a construção de conhecimentos. Nesse processo, a avaliação deixa de ser apenas um momento final e passa a integrar, de forma ativa, o desenvolvimento dos estudantes.

Assim, pensar a avaliação como prática formativa é também repensar o ensino. E, nesse movimento, a elaboração de itens no modelo ENADE se revela não apenas como uma exigência institucional, mas como uma oportunidade concreta de aprimorar a qualidade da educação superior.

 

Prof. Me. Paulo Henrique Ansaldi




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