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DISMORFIA CORPORAL E OS DESAFIOS DA HARMONIZAÇÃO OROFACIAL: UM ALERTA AOS PROFISSIONAIS DA ESTÉTICA
Data: 17/03/2026 | ComentárioO crescimento expressivo da harmonização orofacial (HOF) nas últimas décadas tem proporcionado avanços significativos na estética e na autoestima dos pacientes. Contudo, observa-se um aumento de casos em que a procura por tais procedimentos está associada a uma percepção distorcida da autoimagem. Este artigo discute a relação entre o transtorno dismórfico corporal (TDC) e a prática da harmonização orofacial, destacando os riscos éticos e clínicos decorrentes da falta de atenção dos profissionais diante de sinais de dismorfia em seus pacientes.
A harmonização orofacial consolidou-se como uma das práticas estéticas mais procuradas na atualidade. Por meio de técnicas minimamente invasivas, busca-se alcançar equilíbrio facial e melhoria na aparência, contribuindo para a autoconfiança do indivíduo. No entanto, a expansão desse campo também tem revelado desafios éticos e psicológicos importantes.
O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), conforme descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), caracteriza-se por uma preocupação excessiva com defeitos imaginários ou mínimos na aparência física. Tal condição pode gerar intenso sofrimento emocional e levar à repetida busca por procedimentos estéticos corretivos, mesmo quando não há necessidade clínica real.
Compreender essa relação torna-se fundamental para os profissionais da área estética, que precisam estar aptos a reconhecer os limites entre o desejo de aperfeiçoamento e a manifestação de um transtorno psicológico.
A influência das redes sociais e o ideal de beleza
O avanço das tecnologias de imagem e o uso intensivo das redes sociais têm moldado novos padrões de beleza e de autopercepção. Filtros, edições digitais e o compartilhamento de imagens idealizadas contribuem para a construção de expectativas irreais sobre a própria aparência.
Pesquisas recentes apontam que a exposição prolongada a conteúdos estéticos nas redes sociais está diretamente associada ao aumento de sintomas relacionados à dismorfia corporal (FARDOUX et al., 2023). Tal cenário favorece a busca constante por procedimentos cosméticos, frequentemente sem uma motivação equilibrada ou saudável.
Dismorfia corporal e harmonização orofacial
No contexto da harmonização orofacial, observa-se que parte dos pacientes apresenta expectativas desproporcionais quanto aos resultados dos procedimentos. Em muitos casos, acredita-se que pequenas modificações estéticas serão suficientes para resolver questões emocionais mais profundas, como a baixa autoestima ou a sensação de inadequação social.
Quando o profissional não identifica tais sinais, corre-se o risco de reforçar o ciclo dismórfico, realizando intervenções repetidas que não atendem à percepção distorcida do paciente. Esse comportamento pode resultar em insatisfação crônica, danos emocionais e desgaste na relação entre profissional e paciente.
Responsabilidade ética e clínica do profissional
O exercício ético na odontologia e na medicina estética exige atenção integral ao bem-estar do paciente. O Código de Ética Odontológica (CFO, 2012) e os princípios bioéticos da beneficência e da não maleficência orientam que nenhuma intervenção deve ser realizada sem a devida avaliação das condições psicológicas do indivíduo.
A atuação profissional responsável inclui a capacidade de reconhecer sinais comportamentais de dismorfia e, quando necessário, encaminhar o paciente a acompanhamento psicológico especializado antes da realização de novos procedimentos. Tal postura preserva não apenas a saúde do paciente, mas também a credibilidade do profissional e da área estética como um todo.
A harmonização orofacial representa um avanço importante no campo da estética facial, oferecendo benefícios significativos quando bem indicada. Contudo, quando aplicada em indivíduos com dismorfia corporal e facial não diagnosticada, pode tornar-se um fator agravante de sofrimento psíquico.
A prática ética e o olhar clínico atento são indispensáveis para garantir que o aprimoramento estético permaneça aliado à saúde integral do paciente. Reconhecer os limites entre a estética e a psicopatologia é, portanto, um dever profissional e social, essencial para a promoção de uma atuação mais segura, empática e responsável.
Referências bibliográficas (ABNT)
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR). 5. ed. rev. Arlington: APA, 2022.
CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA (CFO). Código de Ética Odontológica. Brasília: CFO, 2012.
FARDOUX, C. et al. Body Dysmorphic Disorder and Social Media: A Systematic Review. Journal of Cosmetic Dermatology, v. 22, n. 1, p. 45–54, 2023.
PHILLIPS, K. A.; HOLLANDER, E. Body Dysmorphic Disorder: Advances in Research and Clinical Practice. Oxford: Oxford University Press, 2018.
RIBEIRO, A. C.; GOMES, L. S. A busca pela perfeição facial: reflexões sobre o transtorno dismórfico corporal na harmonização orofacial. Revista Brasileira de Odontologia Estética, v. 15, n. 2, p. 89–97, 2022.
Profª. Esp. Daniela Teixeira de Queiroz Agostinho
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